Cliente traz para sessão; sentimento de muita raiva interna, muitas vezes sente que é injusta com algumas pessoas e que assiste a situações de injustiça, relatou também que a raiva é interna e que quer fazer o que é preciso ser feito e às vezes é muito difícil.
Há um querer interno de acção e o corpo não permite.
Na 1ª memória vem uma sensação de vontade de bater com a cabeça na parede, a cliente lembra que a mãe conta, quando era muito bebé, com uns 3 meses de idade tinha bronquite e convulsões, o médico mandava tomar “valium” e o efeito era o oposto, em vez de acalmar ainda ficava pior. “imagine o que é para um bebé tão pequeno a respirar mal e a necessitar de protecção tomar um medicamento deste calibre”.
O facto é que a cliente em momentos de dor e falta de coerência em relação ao sofrimento dos outros e a falta de coerência da sociedade por exemplo quando há o hábito de amarrar as pessoas que não conseguem controlar nos lares de idosos (a chamada contenção) o caso que acontecia com a mãe, a cliente relata que tinha vontade de bater com a cabeça nas pareces por não fazer sentido algum terem que amarrar as pessoas contar a vontade delas, como para mim também não faz sentido dar valium a um bebé.Aparece uma memória da época da pré-adolescência na aula de ginástica onde era quase obrigada a correr, era muito difícil pois a bronquite, assim que começavam a correr aparecia, havia um sentimento de injustiça e também de humilhação pelo facto de ser a última a chegar, não era muito forte pois havia uma amiga da classe que também tinha o mesmo problema.
Em comparação com os dias de hoje é que após um sentimento de injustiça também há um de superação pois no final das contas mesmo sendo difícil era possível chegar ao fim do percurso.
O sentimento de raiva aparece aos 3 anos quase como uma birra e o corpo completamente rígido de tão contraído que nem consegue mexer-se, o pai está perto da menina tentando-a convencer de algo, essa raiva é expressa e a sensação vem de tal maneira forte que há contracção no corpo, conforme vai compreendendo o que se passa pois para a criança é confuso, parece que o pai quer pregar uma partida à mãe e está a fazer uma espécie de chantagem com a criança que não aceita pois fazer algo à mãe, mesmo que seja uma brincadeira não faz sentido para ela, não é coerente, acho que ela não o entende como tal, é falta de coerência fazer algo de errado com a mãe assim que a raiva é libertada, vai vindo também o choro associado, a cliente sente uma total libertação ao ponto de sentir amor pelo pai, um amor profundo, coisa que nunca tinha experienciado, relata que vê o pai e a mãe juntos a abraça-la. Tudo começa a fazer sentido pois realmente para a cliente, não havia coerência em querer fazer o que é preciso ser feito para que a vida evolua e não ter vontade se era uma coisa que ela queria tanto fazer.
Aqui verifica-se o quanto sentimentos reprimidos na infância afectam a nossa vida até hoje.